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15 cidades de portas abertas para a educação física inclusiva

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Durante o ano de 2015, 458 professores, gestores escolares e técnicos de secretarias municipais de 15 capitais brasileiras participaram de uma formação sobre educação física inclusiva.

 

Abrir as portas das escolas públicas regulares para as crianças com deficiência, garantindo seu direito de aprender e se desenvolver de forma integral. Com esse objetivo, o Instituto Rodrigo Mendes e o UNICEF realizaram a segunda edição do projeto Portas Abertas para Inclusão, promovido em parceria com a Fundação Futebol Clube Barcelona.

Nesta edição, a iniciativa alcançou mais de 37.600 estudantes das redes de ensino das 15 cidades participantes. Ao todo, 458 educadores, gestores e técnicos concluíram um curso semipresencial. O projeto foi realizado nas 12 cidades-sede dos megaeventos esportivos, mais 3 municípios da Plataforma de Centros Urbanos do UNICEF. São eles: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

A metodologia do curso envolveu a elaboração de um diagnóstico sobre a realidade local de cada instituição de ensino e o desenvolvimento de projetos voltados à garantia de participação de todos no ambiente escolar. Os cursistas foram estimulados a trocar experiências e repensar suas práticas pedagógicas. “Por meio do esporte e da brincadeira, queremos promover o direito das crianças com deficiência estarem na escola, aprendendo e se desenvolvendo com as demais”, destaca Rodrigo Fonseca, especialista da área de Esporte para o Desenvolvimento do UNICEF no Brasil.

Ao final do processo formativo, a equipe técnica do IRM visitou escolas participantes da iniciativa a fim de documentar os avanços conquistados por meio dos projetos desenvolvidos pelos cursistas. “Observamos que os educadores que participaram da formação inovaram em propostas para incluir todos os alunos nas aulas. Muitas vezes, graças à ressignificação da educação física, conseguimos mudar a forma de toda a escola compreender e se relacionar com as diferenças humanas, superando desigualdades”, completa Rodrigo Hübner Mendes, superintendente do Instituto Rodrigo Mendes.

A partir da sistematização dessas experiências documentadas, a nova edição do “Portas Abertas para Inclusão” contempla o lançamento de um relatório de impactos e uma coletânea de práticas de educação física inclusiva em texto e vídeo.

 

Histórias inspiradoras

A edição deste mês da revista Tam nas Nuvens traz uma das histórias inspiradoras que nasceram a partir do projeto Portas abertas para a inclusão. Por meio de uma história em quadrinhos, é possível conhecer a trajetória de Felipe, aluno da rede pública do bairro de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Por ter uma deficiência física, Felipe foi sempre privado do direito de participar das aulas de educação física. Essa realidade de exclusão passou a mudar quando o professor Luiz Gustavo, ao participar do Portas abertas, decidiu buscar formas de garantir o direito do estudante. Em conjunto com a equipe da escola, começou a desconstruir as regras dos esportes praticados pelos alunos. Foi então que o professor decidiu criar um novo esporte, pensado a partir das particularidades do Felipe e dos demais estudantes. Surgiu o Felipebol.

Conheça mais relatos sobre as transformações promovidas pelos educadores participantes da iniciativa!

Histórias em quadrinhos Instituto Rodrigo Mendes Quadro 1 Felipe, um jovem cadeirante, aparece sentado em sua cadeira de rodas, no canto de uma quadra de futebol, onde garotos jogam entusiasmados. Em algum lugar do quadrinho deve aparecer a placa indicativa “Escola Pública de Padre Miguel”. A expressão de Felipe é triste. O professor, ao lado dele, instrui os garotos que jogam na quadra, enquanto pensa: – Preciso fazer alguma coisa para que o Felipe participe... Ele gosta tanto de futebol! Quadro 2 No topo do quadrinho, aparece: “No dia seguinte”. O professor de Felipe, Luiz Gustavo, aparece em um balcão. Ao fundo, é possível ler numa faixa: “Projeto Portas Abertas para Inclusão – Unicef, Fundação Barcelona e Instituto Rodrigo Mendes”. Ele diz: – É aqui que oferecem cursos de formação sobre educação física inclusiva para educadores? Quadro 3 No topo do quadrinho aparece: “Algum tempo depois”. Luiz Gustavo está agora em pé, na ponta de uma mesa, ao redor dela estão sentados diretores e professores da escola de Padre Miguel. No centro da mesa, pode haver uma plaquinha escrito “reunião de mestres”. Gustavo diz: – Minha proposta, então, embasada pelo que aprendi com o Projeto Portas Abertas, é, nesse primeiro momento, descontruir as regras dos esportes praticados pelos alunos... Quadro 4 Agora, aparecem em quadra Felipe, em sua cadeira de rodas, e os demais alunos da escola, jogando todos juntos basquete, no lugar de futebol. Felipe tem a bola em mãos e se movimenta na cadeira de rodas. O professor Gustavo orienta: – Isso aí! Vamos lá, meninos! Quadro 5 Após o fim do jogo, Felipe e o professor Gustavo estão saindo de quadra. Felipe diz ao professor: – Poxa, professor, é muito bacana poder jogar com meus amigos. Mas, sabe, às vezes, sinto que conseguiria me movimentar mais... Sem contar que, o que todo mundo gosta mesmo, é futebol... Quadro 6 Foco no rosto do professor, que pensa: – Humm, acho que posso explorar ainda mais seu potencial. Vou perguntar ao Felipe de que outras formas consegue se mover. Observei que ele tem marcas nos joelhos… Quadro 7 Todos os alunos, junto com o professor, aparecem em quadra novamente. Agora, todos, assim como Felipe, se mantêm em quatro apoios (com as mãos e os pés apoiados no chão e o quadril levantado). O professor Gustavo diz: – Vamos praticar o Felipebol! As regras do jogo são simples: vocês devem se movimentar em quatro apoios, jogar com as mãos e somente o goleiro pode ficar em pé. Quadro 8 Foco nos meninos jogando. Eles gritam, vibram e comemoram. Ao fundo, aparece a diretora da escola conversando com o professor Gustavo. Ela diz: – É impressionante, professor! O Felipebol conquistou a todos os estudantes, passando na frente até do futebol em termos de preferência da turma! Quadro 9 Felipe se aproxima dos dois, mantendo-se em quatro apoios, sentado na cadeira de rodas e diz: – Agora eu participo de verdade do jogo: viro cambalhotas, faço muitos gols e comemoro com meus amigos. Estou muito feliz! Desde 2009, a TAM Linhas Aéreas apoia a atuação do Instituto Rodrigo Mendes no campo da educação inclusiva.
História em quadrinhos publicada pela revista TAM nas Nuvens (edição 97 – jan/2016)